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Bolsa Funarte...Cortada à Gilete

“A decisão é soberana”. Perdi mais de cinqüenta paus autenticando, xerocando a documentação exigida para a participação da Bolsa de Estímulo à Criação Literária oferecida pela FUNARTE. Para quê? Isso ainda está sem resposta, porque se queriam premiar o Luiz Arthur Toríbio, não precisavam colocar em cheque o processo de seleção dos projetos, era só pedir que nós, os concorrentes, estaríamos de pleno acordo, porque já sabíamos dos serviços prestados por ele como ex-chefe da Assessoria de Comunicação Social do Minc. Mas como ninguém perguntou, criou-se este mal-estar, e, mesmo este senhor não conhecendo o júri, não me conhecendo e a nenhum dos outros concorrentes de todo o país, acabou por levar o descrédito às instâncias da cultura, reforçando a tese de clientelismo, nepotismo e favorecimentos que os democratas e indivíduos ditos saudáveis politicamente dizem não existir, acusando de neurótico àqueles que se posicionam desta maneira, pleiteando internação, camisa de força e choque elétri...

Terrorismo Governamental - CPMF

Os jornais anunciam a suspensão da CPMF. Digo suspensão, porque a bica por onde escorre o dinheiro público não fecha nunca; agora o governo teme pelo estado da saúde no país, antes não temia? O ministro José Temporão teve até taquicardia quando se encerrou a votação, por que? Ele não usa o sistema público de saúde? Através dos jornais se observa a campanha de que sem a CPMF o país se tornará um caos: os servidores não terão aumento, os hospitais ficarão abandonados, e outras desolações. Lula, por favor, me explique. Sem a CPMF a coisa toda desandará, o país estará em apuros, mas o rio de dinheiro em valeriodutos, propinas, mensalões? E o patrimônio gigantesco detido pelo próprio filho do presidente? Então é mais imoral o fim ou a suspensão da CPMF do que estes crimes contra o patrimônio público? Não consigo localizar a indecência da medida, nem com isso uma estratégia da oposição para negociar cargos – talvez seja uma ingenuidade. Isto, uma ingenuidade, de minha parte, mas uma fraqueza...

Repercussão Sobre Leitor, Abominável Leitor?

O blog Paralelos repercutiu a discussão levantada aqui sobre a opinião dos escritores contemporâneos a respeito do leitor. O quem me deixou bastante feliz. A caixa de comentários se não está cheia, pelo menos conta com nomes que leram atentamente o que foi dito, analisaram e postaram lá suas opiniões sobre as colocações dos autores, porque é apenas um texto expositivo de palpites alheio dados por ditos profissionais da literatura sobre um assunto há tanto tempo batido que é a formulação de uma antiga pergunta: o que é o leitor. E, cada um dos escritores se esforçou para encontrar a síntese capaz de definir esta entidade. Alguns com mais felicidade, outros com menos, mas todos buscaram uma resposta, ensaiaram uma maneira de compreender o fenômeno, mesmo que discordemos de algumas declarações. Rafael Rodrigues levanta na caixa de comentários se a obra de Faulkner – Som e Fúria – foi escrita para algum determinado leitor. No artigo já explicito logo em seu inicio que a resposta é positiva...

De Mal com o Mundo

Dedicado a Aurea Meu amor acordou irritado. Os chinelos apertavam demais os pequeninos pés, remancheava uma mecha do cabelo, porque estava uma palha, precisava urgente de cabeleireira e manicure, máscara anti-rugas, depilação, não agüentava se ver com aspecto tão feio implorava para que eu me virasse, não ousasse tocá-la, porque tinha colocado em dia as aulas de defesa pessoal e me arrependeria profundamente. Não adiantaram meus apelos de que estava tão bonita, nem as minhas comparações poéticas, tentando convencê-la da beleza única que tinha. Deu muxoxo. Sentou-se na beira da cama. O roupão de banho deixando ver à ponta dos joelhos, tão brancos, tão lindos. Os cabelos umedecidos escapavam da toalha que formava uma touca, os lábios avermelhados tinham a mesma coloração das bochechas em estado de excitação, preocupadas com o que seria de si mesma se fosse vista como estava, seria uma vergonha. Meu amor acordou irritado. Cansada de ser morena, optou por ser loura. Botou vestido justo, de...

Leitor, Abominável Leitor?

A recorrência a entrevista de determinados autores é sempre uma ferramenta útil para compreender o processo no qual se envolvem quando se decidem criar, nisto expõem os mecanismos de sua ficção, mostrando o comportamento diante da página em branco, dividindo com o leitor a sensação de desamparo quando não conseguem realizar como pretendiam o trabalho em que estavam envolvidos. A Revista Malagueta – revistamalagueta.com – um sítio virtual que acolhe parte da produção literária contemporânea, abriga uma série de entrevistas que juntam dois escritores, geralmente de tendências diferentes, submetendo-os a um questionário elaborado pela equipe do sítio, levando em conta as idéias de Zadie Smith, escritora inglesa, autora do ensaio Fail better. A surpresa destas entrevistas é o menosprezo com que a maioria dos escritores trata a figura do leitor, chicoteando-o para fora de suas ambições, eliminando a concepção do leitor implícito, de Wolfgang Iser, que defende que há uma parceria criativa en...

Reflexões Sobre A Literatura Brasileira Contemporânea

A literatura brasileira contemporânea sofre de anemia. Este diagnóstico é o menos pessimista, poderia se dizer que padece de uma doença terminal: a PRESUNÇÃO, que em poucos dias dizima o corpo do paciente, mas não quero ser um alarmista, porque de alguma forma estou incluído no conjunto de que falo, não podendo me furtar a reflexão crítica, mesmo que amarga. A reflexão teve como ponto de partida a leitura de três livros de jovens autores recém – lançados. Um gaúcho e os outros dois cariocas. A minha primeira estranheza: os livros têm uma mesma dicção. Parece que com a internet, a rapidez de comunicação por meios tecnológicos, às questões regionais tanto da língua como da cultura estão indo por água abaixo, ou estão em um plano bastante inferior, porque não são levadas em conta no fazer artístico dos novos autores. A referência a este fator se deve a leitura do romance do autor gaúcho que se tivesse sido escrito em Bombaim não faria a mínima diferença, porque não há um traço identificad...

Carta Para Tobias

Alguns romances possuem premissas excelentes, contando apenas consigo próprios dariam livros inesquecíveis, talvez clássicos que nos acompanhassem por toda uma vida, mas concorrendo com a colaboração de determinados escritores, arriscam-se a ser mal – escritos, às vezes aquém do que mereceriam, se pudessem contar com uma geração espontânea, aparecendo como mágica nas prateleiras das lojas, nas estantes das bibliotecas, e, na escrivaninha das casas. Digo isso por ler um romance estrangeiro que me havia impressionado bastante com a propaganda em torno dele, mas o fator principal era de que pertencia a um escritor experiente, alguém premiado, contando com uma fortuna critica de dar inveja, entretanto com o aproveitamento quase zero no desenvolvimento de sua estória. Talvez diga isso por me ocupar da leitura como um objetivo principal, e durante o seu ato, reescrever muitas das vezes o livro lido, com as possibilidades desprezadas pelo autor. Acredito que todo o leitor tem a obrigação de u...