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Sem martírio

MARINA SILVA é minha opção de voto. É saudável para a vida política brasileira, neste momento, a existência de um segundo turno que demonstre a insatisfação de uma parcela da população com relação a administração da atual presidente e do Partido dos Trabalhadores. A chance de vitória de um outro candidato não é remota, a necessidade de reforma política é urgente e é importante acabar com o mecanismo da reeleição. E não se deve aumentar o período de mandato - estendê-lo por cinco anos -, como apregoam alguns políticos. Todo martírio deve ser minorizado para o povo. 

Marina Silva: mais do mesmo mesmo?

Marina Silva é o Lula do primeiro mandato. Sem nenhuma diferença. Exceto, aliás, que, agora conhecemos quem foi o Lula do primeiro mandato. E talvez isto ajude a fiscalizá-la melhor, porque, como o ex-presidente, para alcançar o poder e lá se manter, fará acordos. E os acordos, descaracterizadores da plataforma política da ex-senadora, comprometerão a biografia da candidata à presidência. Nessa altura, creio, nenhum dos candidatos tem grande preocupação com sua biografia política. E não há muitas diferenças entre eles. Aécio Neves, Dilma e Marina prometem a manutenção da política social e econômica, portanto, além dos pequenos ajustes, não se pode esperar a mudança estrutural do país, apenas conjuntural. Tudo como dantes no quartel de Abrantes, eis o ditado que os define. Se o PSDB é um pecador confesso; o PT, um pecador arrependido; o que pensar do PSB de Marina Silva, com relações tão perigosas quanto as de outros partidos? Luciana Genro - a candidata mais bonita da corrida presiden...

Revolução

Os mártires de qualquer espécie são sempre uma forma de aviso. Se um homem precisar morrer para que outro se salve, não vejo nisso qualquer contradição. Cresci ouvindo isso. Ele era filiado ao partido. E os meios justificam os fins, algumas vezes. Em outras, precisamos atravessar turbulências, gravidade para alcançar o almejado. Tudo aquilo entrava na minha cabeça. O Estado precisa da mentira, ela é útil a determinados manejos. Ele não pode permanecer com a mentira. É legitimo utilizá-la, mas é preciso torná-la real para quando for verificada. A mentira é uma projeção do que será a verdade. Não poupe esforço para alcançá-la. Minha mãe não poupava críticas a mulher da casa da frente. Chamava-a de uns nomes de reputação duvidosa. Ensinava que era errado o que ela fazia. E tudo aquilo entrava em minha cabeça. A mulher da frente se deitava com vários homens. A mulher da casa da frente tinha filhos com eles. A minha mãe era uma guardiã da moral, saída de passeatas da TFP, carregad...

NA PEQUENA ÁREA

Caro Milton Neves, Como sujeito equilibrado sabe que o melhor é seguir o conselho da oração de São Francisco: "Compreender mais do que ser compreendido". E Datena, mais tarde, escutando as gravações do programa da Rádio Bandeirantes, se dará conta de que nada que desabonasse sua conduta foi veiculado. E nenhuma insinuação maldosa deu-se nos comentários sobre o período do apresentador no Paraná. Aliás, como reza a atitude evocada aqui,em nome da amizade e longo convívio de vocês dois, que o acerto entre vocês seja celebrado com uma fotografia publicada aqui no blogue. Mudando o assunto, rapidamente, Milton. A convocação de Dunga foi considerada boa pela maior parte dos comentaristas esportivos. E uma profusão de meio-campistas surgiu na listagem, inclusive Elias - mais uma vez. Não seria a hora de PH Ganso? Pelo futebol que vem mostrando no tricolor paulista, creio que não tardará para o meia-armador vestir a amarelinha. O que acha? Um abraço Caro Milton ...

Viração

CONTATO PIANOLA EDITORES Caros Editores, Embora não me conheçam, não posso mentir. Sou um escritor obscuro, nascido em um país de Terceiro Mundo em que as relações pouco se baseiam em méritos. E se os tivesse, talvez fossem preteridos por outrem, ordenando a realidade melhor do que ela está, dando-me o lugar de honra, isto é, em uma última fila. Lá, sem ser visto, apesar de reconhecido para estar nesse teatro – pelo menos, me digo, estou na última fila, em uma cadeira pouco confortável, mas minha cadeira e só me irão me remover de lá morto -, observo as intrigas em torno do capital cultural que ainda costuma ser dividido com os mesmos homens com o qual repartem o econômico. E se permitem as exceções, porque, sim, elas existem de fato, será para tornar mais divertida a fruição do espetáculo que proporcionam a si, eles, os tais detentores de tudo em meu país. Promovem aqueles de quem mais se pode rir -, como os reis que tinham em sua corte seus bufões. Estes, algumas vezes,...

Dica Literária

Lygia Bojunga Nunes não pode ser subestimada. Não é, como a rotulam, apenas uma autora infantil. Talvez majoritariamente,nunca em sua integralidade. Aliás, a escritora é reconhecida, através das inúmeras premiações, pelo serviço prestado ao território da infância. No entanto, escreveu uma pequena novela notável – esta sem classificação etária – O Abraço. Se o restante de sua obra pode rivalizá-la com outros autores infantis, esta a coloca, de fato e de direito, pela sutileza, pela elaboração narrativa e pela perspectiva elegante, ao lado de escritoras como Hilda Hilst e Lygia Fagundes Telles. O tema do estupro, sempre sombrio, é tratado sem o traço naturalista. O leve simbolismo utilizado não diminui sua tragédia, mas imprime insustentável leveza. É minha recomendação. No livro, além das oitenta e duas de história propriamente, há uma surpresa: Lygia Bojunga discorre sobre sua preferência por assuntos pertencentes a um universo soturno. É a minha recomendação de leitura – Lygia Bojung...

Monitoração?

A MONITORAÇÃO AMERICANA do blogue é frequente. A tradução em números supera em até oito vezes a presença de leitores brasileiros. O meu desleixo por não monitorá-los através de um programa gratuito do Google é resultado de uma inconsequência por suspeitar de que se tratam apenas de brasileiros radicados no exterior e não um complô contra um escritor que se volta para as discussões de seu país, com moderação e bom senso. Outras vezes, apesar do desbloqueio para os comentários, assustado, penso em espionagem. As palavras chaves ligadas à política vinculam-se às minhas narrativas e às ideias debatidas em textos curtos e incisivos podem despertar a desconfiança de que me alinho – politicamente – a um lado ou outro, radicalmente. O que não é verdade. Sou um homem ligado, essencialmente, à liberdade. Não sou uma natureza afeita a partidarismos ou ideologias, embora, por isso, sinta-me solitário. A liberdade,hoje, está atrelada a plataformas políticas, mesmo tendo uma existência anterior a ...