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Terras Portuguesas

http://www.revista365.com/ http://365revista.blogspot.com/ Revista 365 # 32, impressa e virtual. Estou publicado nela desde Dez/2010. O conto Embrulho, primeira versão E só agora descobri. Águas portuguesas. Muito obrigado aos editores Fernando Alvim e António Gregório.

Contracapa do Livro de Viddal de Souza

O livro Desenrolo é um punhado de histórias que vai levar o leitor à lona. O Manual de Boas Maneiras para Meninas, de Pierre Louys, encontra-se na novela de “Mãe para Filha” em que o tom mordaz, sarcástico e ácido modula as ações das personagens. A matreirice à espreita no conto-título deste volume faz nos perguntar ao final da leitura: “Tem desenrolo?”. A vida páginas afora afirma que sim. Mas qual o preço? Este pode ser medido, pesado e tarifado ao longo dos contos da valente ficção que se dispõe nesse livro. Mariel Reis

Resenha Sobre o Livro Vida Cachorra

O latido da prosa A literatura contemporânea é cheia de trocadilhos e peças pregadas. Talvez sempre tenha sido assim ao longo da história. Mas é neste bojo que me encontro. É neste mar que pesco, é onde vejo e leio os parcos livros que consigo obter, entre uma luta e outra para garantir o pão. Foi assim que me chegou às mãos um pequeno exemplar de maldades cotidianas, o livro Vida cachorra (Usina de Letras, 2011, 78 páginas), do carioca mariel reis (tal como assina o autor). É uma bela peça. Um livro que imprime a marca da marginalidade, a voz dos esquecidos, a miséria sem grandeza, a confissão ordinária dos malditos. São 12 contos forjados numa linguagem seca e rápida. Em alguns casos, os contos estão carregados de cinema e rap que convidam o leitor a uma espécie de dança ‘fenomelopaica’, como no que abre a coletânea, Absolvição. Aqui o narrador depõe seu crime a um suposto delegado. Seduziu a enteada, ainda garota. Ao flagrar a filha com o marido, a mãe se desesperou e os esfaqueou, ...

Sobre A Arte de Afinar o Silêncio

João Carlos Rodrigues comenta sobre meu livro inédito A Arte de Afinar o Silêncio em entrevista ao site de literatura Verbo 21 ( http://www.verbo21.com.br ). LT – Aprecia a literatura brasileira contemporânea? Percebe alguma tendência predominante que a distingua? JCR – Acompanho pouco. Me parece que há uma predominância de narrativas na primeira pessoa, que tem ou procuram imitar, um linguajar da periferia social. Outras de suas características são o ressentimento e o revanchismo. Uma espécie de literatura-vômito. Alguns são interessantes, mas é uma onda que vai passar, deixando suas contribuições. A maioria, porém, parece comício. Mas, pra não dizer que não falei de flores, recentemente li e gostei de “A arte de afinar o silêncio” do Mariel Reis, um grupo de ficções agrupadas como a programação de um canal de TV. Ainda inédito. http://www.verbo21.com.br/v5/index.php?option=com_content&view=article&id=77:joao-carlos-rodrigues&catid=49:entrevista-fevereiro-2011&Itemid=...

Comunicações com Grandes Escritores

Prezado MARIEL, Só ontem pude ler com calma seus 3 contos. Se você ainda não tem livros publicados, creio que já está na hora de editar. Pelo menos, por esses três trabalhos, não tive dúvidas de que você é um escritor que domina a narrativa. Nesse "Um conto sobre a inveja" , você utilizou com todo talento de sua capacidade de fabulação, realizando um diálogo com os mestres Machado de Assis e Lima Barreto por meio do delírio de um personagem. Já em "O erotômano imperfeito" e "A gorda" , você ousa na linguagem e na temática ao abordar o erotismo e sexo pago com garota de programa, relatos pungentes sobre relações e dissoluções encontradiços na vida contemporânea. Vejo ainda nesses contos que você transita tanto pela linguagem convencional quanto por uma narrativa mais densa e tensa, em que está presente, no plano formal, uma linguagem mais fragmentária, impulsionada por uma atmosfera mais tensa e claustrofóbica. Sugiro a você participar de concursos literár...

Cópia Fiel

Um amigo recentemente chegou da Europa. Encomendei-lhe vários livros. Solícito, não deixou de me atender. Procurando dividir sua experiência em terra estrangeira, me sugeriu que o Museu do Louvre está repleto de tesouros e não pode ser posto de lado em uma programação turística nas plagas francesas. Conversávamos soltamente quando o coloquei a par de uma teoria minha, desenvolvida ao longo dos anos, tendo como base o mercado de arte brasileiro, do qual sou profissional. E pelas observações que me propiciam, ao lidar com todo o tipo de suporte em que são executadas as pinturas, principal objeto de explanação em nosso diálogo. O Museu do Louvre, meu caro, disse a ele, tem lá seus méritos. Mas algumas obras não estão mais lá. O que vemos são espectros daquilo que foram quando realizadas pelo artista. O mais são interferências de mãos de tantas nacionalidades dos restauradores que não adivinhamos qual pincelada pertence a quem, se ao pintor ou àquele que auxiliou para que o trabalho chegas...

Violência

No caixa do supermercado Guanabara um diálogo improvável se trava à minha frente. Duas jovens conversam com um rapaz de trejeitos efeminados. Ele confessa que precisa arranjar um namorado e irá a uma boate conhecida para isso. Apoiado pelas duas jovens, que não encontram inconveniente nisso, alertam-no somente para o risco de doenças sexualmente transmissíveis, inclusive, a AIDS. Ele não se faz de rogado. Apalpa um dos bolsos da calça e retira de lá a embalagem de preservativo. Passam as compras, pagam com o cartão, ensacam e seguem juntos para o lado de fora do mercado. Na minha frente, restam outras duas mulheres que entre si trocam mexericos, enquanto são atendidas pela caixa que se intromete: - Um homem bonito daqueles, veado! Um desperdício. Eu tenho um amigo gay, ele é tão fofinho. Meu marido nem desconfia. Um dia eu esfreguei aquilo na cara dele. E nada. As mulheres riram. Pagaram as compras e também se foram. Na minha vez, a caixa tentou dar prosseguimento ao assunto, emendando...