“A decisão é soberana”. Perdi mais de cinqüenta paus autenticando, xerocando a documentação exigida para a participação da Bolsa de Estímulo à Criação Literária oferecida pela FUNARTE. Para quê? Isso ainda está sem resposta, porque se queriam premiar o Luiz Arthur Toríbio, não precisavam colocar em cheque o processo de seleção dos projetos, era só pedir que nós, os concorrentes, estaríamos de pleno acordo, porque já sabíamos dos serviços prestados por ele como ex-chefe da Assessoria de Comunicação Social do Minc. Mas como ninguém perguntou, criou-se este mal-estar, e, mesmo este senhor não conhecendo o júri, não me conhecendo e a nenhum dos outros concorrentes de todo o país, acabou por levar o descrédito às instâncias da cultura, reforçando a tese de clientelismo, nepotismo e favorecimentos que os democratas e indivíduos ditos saudáveis politicamente dizem não existir, acusando de neurótico àqueles que se posicionam desta maneira, pleiteando internação, camisa de força e choque elétri...
As comunicações dominicais de Alexandre Soares Silva possuem uma leveza ou uma disponibilidade de espírito possível apenas a um sujeito rico retirado do mundanismo paulista ou com uma inequívoca iluminação obtida com iogue em um ashram na terra dos bandeirantes em que feitos assim são comuns a um grupo escolhido. Outro ponto prejudicial às comunicações é a recepção manifestada por uma parcela dos assinantes com a intenção de popularizá-las. Em uma delas, a contraposição do romance realista com o romance de fantasia, uma observação correta sobre a transcendência do último sobre o primeiro pela presença do sobrenatural, é estragada. Alguém disse, em algum lugar, que a literatura d esse tipo é otimista pela presunção de um mundo espiritual, ainda que terrível. A hipótese da riqueza de Alexandre Soares Silva não é absurda. A recorrência ao termo aristocracia em suas entrevistas reunida a gola rolê - prefiro a denominação chique turtleneck - peça presente no vestuário masculino europeu ...
O calor das ruas estava insuportável. O bairro de Botafogo asfixiado pelo trânsito e sirenes, os prédios esgueirando-se para chegar ao céu como a Torre bíblica, e, nas janelas a existência congelada de uma parcela da população aposentada, desempregada, ou, simplesmente de homens que apenas observam a paisagem móvel e multicolorida, instantânea das multidões. A multidão, este monstro, arrastando-se pelas ruas, desatinada e intranqüila, desaguando nas portarias dos edifícios, escoando pela abertura dos bares, lojas e shoppings como por um ralo que mais a frente confluísse para uma nova rua e sistematicamente tudo isso voltasse a acontecer. Meu olho fixo no chão, empurra para trás a saudade da minha terra, longe, de infinitos horizontes, onde repousa o homem na sela de seu cavalo, sentindo o vento frio das cordilheiras, acossado pelo sotaque dos vizinhos. Lembranças que carrego comigo dentro dessa metrópole, nessa cápsula que é o meu corpo a me conduzir como um estímulo nervoso pelas célu...
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