Mirante,platô e ponto de observação.
Estes são personagens de uma obra de ficção, qualquer semelhança com a vida real terá sido mera coincidência
Em uma conversa sobre Marina Silva
"Marina [Silva] não agrediu. Em um vale tudo, as eleições, ela inventou regras de comportamento, foi ética. Embora forte. O eleitorado quer um César, sempre. Mesmo que depois ele seja brutalmente traído".
As comunicações dominicais de Alexandre Soares Silva possuem uma leveza ou uma disponibilidade de espírito possível apenas a um sujeito rico retirado do mundanismo paulista ou com uma inequívoca iluminação obtida com iogue em um ashram na terra dos bandeirantes em que feitos assim são comuns a um grupo escolhido. Outro ponto prejudicial às comunicações é a recepção manifestada por uma parcela dos assinantes com a intenção de popularizá-las. Em uma delas, a contraposição do romance realista com o romance de fantasia, uma observação correta sobre a transcendência do último sobre o primeiro pela presença do sobrenatural, é estragada. Alguém disse, em algum lugar, que a literatura d esse tipo é otimista pela presunção de um mundo espiritual, ainda que terrível. A hipótese da riqueza de Alexandre Soares Silva não é absurda. A recorrência ao termo aristocracia em suas entrevistas reunida a gola rolê - prefiro a denominação chique turtleneck - peça presente no vestuário masculino europeu ...
No calçadão de Ipanema vejo Ivan Lessa – está na companhia de dois outros senhores de idade que só depois reconheço – Ziraldo e Jaguar. É a primeira vez que os avisto juntos, conversando, exercendo a bundologia – arte caríssima ao grupo que dedica a ela boa parte do tempo em que atravessa a faixa da calçada, inspecionando as virtudes das beldades, comentando entre si as riquezas naturais de nossa cidade tão cara ao olhar turístico desse quase inglês: Ivan Lessa. Ivan Lessa vive na terra da Rainha, como gosta de dizer. É quase brasileiro quando está entre nós, frisando com isso que ainda mantém certa distância da assoladora síndrome de vira – lata que acomete a todos os seres viventes do terceiro mundo. Não sente a mínima necessidade de escrever, ressalta que é quase um acidente e aqueles que não descobrem em seus livros verdades tão profundas quanto as escritas por Proust podem esquecê-lo, porque não o merecem. A minha aproximação não foi das melhores. Evocando minhas memórias sobre o ...
A materialização do guru indiano Sai Baba em meu quarto hospitalar não pareceu-me extraordinária. Os meus sentidos estavam entorpecidos pelas drogas do tratamento do acidente vascular cerebral e a letargia provocada por elas não permitiu à aparição qualquer impacto mesmo com o visual black power, com a bata alaranjada e o inglês com sotaque. O místico parecia um sósia pretensioso do cantor Tim Maia. Quando Padre Pio surgiu em meus sonhos, senti-me abençoado e o saudei: - Seja bem-vindo Frei Damião! Ouvi, em italiano, a ordem para olhá-lo outra vez com atenção, seguida da palavra asno. Não restou-me dúvida. Repeti minhas boas vindas. Ele olhou para o céu, pediu a Jesus Cristo por uma tarefa mais fácil nos currais. A certeza de que uma longa amizade surgiria não passou-me pela cabeça em nenhum momento. A longa explanação sobre o demônio durou toda noite. Em um sonho dominado por um indivíduo com estigmas nas mãos, o horizonte de fuga não é alcançado. Citei a visita do Sai Baba dura...
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