A reação do leitor, repleta de indignação, é aceitável. Não sabemos de que parte da classe média ele faz parte, se pertence mesmo à classe média ou é apenas alguém que moralmente é atingido por assuntos como este espinhoso devido a alguma moralidade de descendência religiosa ou um escrúpulo qualquer ferido em sua ética pela postagem Nova Ordem.
Ele escreve: Apelido: Lego1 - 20/2/2009 - 11h14minA classe média quer a liberação das drogas? Esta pergunta está com a respondida tanto pelo senso comum, observado em conversas de botequim, quando se fala que o tubarão não sente nem o cheiro fétido das celas onde estão encerrados os peixes miúdos que são oferecidos ao Baal das prisões. Neste artigo – A Nova Ordem – aponto o caso de playboy que arrendou duas bocas de fumo em um morro do Rio de Janeiro.
Quem disse isso? Esta pergunta é outra fácil de responder. As raves e outras os cruzeiros da morte deixam claro o grupo preferencial que podem bancar o luxo de festinhas regadas a material ilícito em alto- mar. As redes de televisão – devida as mortes decorrentes – já fizeram reportagens sensacionalistas sobre o modo de vida desta juventude – neste sentido erram, porque generalizam – mas desta parte de uma juventude com poder aquisitivo para freqüentar eventos desta natureza.
E fala-se somente da maconha e não das outras drogas! Aqui este meu leitor diferencia a maconha de outras drogas. Parece ter uma visão diferenciada sobre os efeitos deste tipo de entorpecente. Como se a maconha não tivesse sobre determinadas naturezas uma reação poderosa e equívoca como qualquer outro tipo de estupefaciente. O álcool, outro grande vilão desta indústria, que sem vigilância do Ministério da Saúde faz um grande número de vítimas silenciosamente.
Quero ver esses permissivos como os vários colunistas deste jornal que aqui defendem abertamente as drogas quando forem vítimas de usuários sob efeitos de drogas. Como o ator Felipe Camargo que matou um filho e depois a mãe deste filho e NADA foi feito. Cadeia para usuários e traficantes! Aqui expõe sua opinião sobre os defensores da descriminalização das drogas, isto depois de chamar a maconha de inofensiva – fala-se somente da maconha – e pragueja que estes mesmos quando forem vítimas de potenciais usuários se arrependerão dos seus pecados e pedirão ao deus do neo-liberalismo que isto nunca tivesse acontecido. Para o esclarecimento deste leitor, a todo momento, sofremos sanções tanto pela política anti-drogas promovida pelo Estado em suas incursões nas áreas de risco, com suas mortes “acidentais” em operações para manterem cidadãos como você e eu seguros quanto pela ação indiscriminada de traficantes que pelo abuso da força, contribuem para o desmando – como um poder paralelo – neste mesmo Estado. Portanto, o artigo tenta ironizar a situação da classe média que glamourizou toda esta palhaçada e agora é refém dela. E não se contenta com seu papel coadjuvante – porque outro nome para classe média é o lucro – e resolveu fatiar o bolo. Antes tarde do que nunca.
Se a maconha será a primeira por ser droga para intelectuais – isto não me importa. É o primeiro passo. Isto resgatará os playboys e as patricinhas que passaram a achar caretas aos rapazinhos que fuzis, porque serão estes a extensão da empresa do papaizinho, determinando o fim do encantamento deste rambo subdesenvolvido e de cérebro atrofiado, ao fim de uma era paleolítica em termos de desenvolvimento social. Quando Fernando Henrique defende esta descriminalização, deve olhar para o país e ver nele uma Suíça ou Holanda, com um povo com grau de educação e discernimento altíssimos. Senão, por que proporia isto? Qual interesse? Estas respostas deveriam estar óbvias.
As políticas de limpeza social promovidas por classes dominantes que não admitem ter que dividir territórios com outras espécies não tão nobres é algo relativamente velho, portanto não teria sentido explicitar o que já se conhece. Conforme às épocas isto é mais sutil ou descarado. O leitor, como já havia dito, não sei a que parcela desta sociedade pertence, mas deveria ter focado em sua discussão o seguinte: por que não se realiza plebiscitos em relação à descriminalização das drogas? Isto foi feito em relação ao (des) armamento - mesmo que isto tenha sido falso – como muitos apregoam, vide-se o número de mortos por arma de fogo e acidentes domésticos lamentáveis, envolvendo crianças. Isto é que deveria ser apontado pelo nosso Senhor Leitor.
A responsabilidade civil em se discutir assuntos espinhosos, que encontram resistências desta natureza, argumentos com teores reacionários e outros revolucionários demais – entretanto todas estas teses partem da classe média para a classe média, sem nenhuma relação do povo nisto. Portanto, Lego1, não se preocupe, porque mais cedo ou mais tarde, com ou sem o nosso consentimento, isto se tornará uma realidade. Porque temos a ilusão de participamos deste processo com nossas opiniões, denúncias, relatos e testemunhos. Se acontece é em relação a uma parcela menor do que se supõe e menos influente do que se parece. Volte sempre.
